Depois de um longo dia, o que eu queria apenas era deitar e esquecer
tudo, mas nada é perfeito na vida de um semideus. Então, fui andar pelo
acampamento e olhar a paisagem, o que vi me deixou maravilhado, grandes bosques
a noroeste, uma linda praia, um riacho, o lago de canoagem, campos verdejantes
e os chalés – um bizarro conjunto de construções dispostas em semicírculo de um
jeito que formavam a letra grega ômega (Ω), com um gramado no centro e dois
anexos nas extremidades.
Eu contei vinte chalés. Um era dourado, outro, prateado. Um tinha grama
no telhado. Outro era vermelho vivo, coberto de arame farpado. Havia um todo
preto, com tochas de chamas verdes na entrada. E tem ainda a Casa Grande,
quartel-general do acampamento, que é uma mansão antiga pintada de azul-claro
com acabamentos em branco. A varanda que a rodeava tinha espreguiçadeiras, uma
mesa de carteado e uma cadeira de rodas. Sinos dos ventos pareciam ninfas se
transformando em árvores enquanto giravam. Na parte mais alta do telhado um
cata-vento no formato de uma águia de bronze girava com o forte vento.
Fui dar um passeio pelos chalés quando alguém me chamou a atenção, era
uma campista que estava treinando arco e flecja em vários alvos, e era muito
boa nisso. Me aproximei para olhar melhor e notei que ela tinha ao lado de seu
corpo uma espada negra e comprida que contrastava com seu visual. Ela estava
com uma trança em seus cabelos compridos e escuros como a noite e usava roupas
pretas por debaixo da camiseta laranja do Acampamento Meio-Sangue.
Nenhum comentário:
Postar um comentário